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Se a natureza cantava, os homens queriam cantar também [Marcelo Gleiser]

Marcelo Roque

De tão aventureiro que sempre fui,
entre vales,
montanhas e mares,
de mim mesmo,
me perdi
E quando finalmente me reencontrei,
nas distantes e gélidas terras além savanas,
não mais me reconheci;
afinal,
já não eram meus aqueles olhares,
aquele corpo,
e tampouco os sonhos
E foi desde então,
que me deixei definitivamente para trás,
e passei a caminhar sozinho,
rumo ao imprescindível,
e inevitável destino de todo ser;
o desconhecido …

Por volta de 40 mil anos atrás, um acontecimento ocorrido na
Europa, veio transformar, definitivamente, a história do homem
em nosso planeta
Foi a chegada neste continente, daquele que seria, o ancestral
direto de toda a humanidade; o “homo sapiens”
Até então, por cerca de 300 mil anos, a Europa foi o que podemos
chamar de “eldorado” de uma outra espécie de homem,  o “homo neanderthalensis”, ou homem de Neanderthal
Suas caracteristicas físicas, estavam perfeitamente adaptadas
as condições climáticas daquela região, onde as temperaturas
podiam chegar a mais de 20 graus abaixo de zero
Os sapiens, por sua vez, não estavam fisicamente tão bem adaptados
ao clima, porém, por razão de suas enormes capacidades inventivas,
demonstradas através da fabricação de seus instrumentos de caça
e sobrevivência, eles conseguiram não só se estabelecer, como
também, levar em relação aos neanderthais, vantagens na obtenção
de alimento e na disputa territórial
E com uma escasses cada vez maior de alimento, e tendo seus territórios drasticamente diminuidos, a extinção dos neanderthais,
acabou tornando-se então, inevitável

É importante acrescentar que, segundo os cientistas, tanto os
neanderthais com os sapiens, tiveram provavelmente o “homo erectus”
como ancestral comum
Foram os erectus, os primeiros a migrarem do continente africano
para outras regiões,dando origem assim, ao surgimento de ramificações
do gênero humano tanto na Ásia como na Europa

Domingo, 23 de Agosto de 2009

Homo artisticus

MARCELO GLEISER


Se a natureza cantava, os homens queriam cantar também


A Terra tem uma idade aproximada de 4,5 bilhões de anos.

Nossa espécie, o Homo sapiens, apareceu em torno de 200 mil anos atrás, na África. Se concentrássemos 4,5 bilhões de anos em uma hora, nosso aparecimento teria ocorrido há menos de dois décimos de segundo. Somos a presença mais recente neste planeta e nos achamos donos dele. Algo para refletir.

Evidências fósseis e genéticas indicam que grandes migrações da África em direção à Eurásia e à Oceania ocorriam já há 70 mil anos. A fala, parece que tínhamos há pelo menos 50 mil anos. Dos 200 mil anos que marcam a nossa presença na Terra, há apenas 10 mil nós nos organizamos em sociedades agrárias, capazes de se sustentarem com o plantio e colheita regular de espécies de vegetais domesticados.

Certamente, quando essas sociedades começaram a se organizar, alguns animais também foram domesticados.

Antes dessas sociedades agrárias, bandos de homens e mulheres corriam pelas savanas africanas e planícies eurasiáticas à procura de alimentos e abrigo. Os perigos eram muitos, de animais predadores e grupos inimigos a fenômenos naturais violentos, como misteriosos vulcões e terremotos. Para sobreviver, nunca se podia baixar a guarda.

Desde cedo, ficou claro aos nossos antepassados que a natureza tinha seus próprios ritmos, alguns regulares e outros irregulares. A linguagem nasceu tanto para facilitar a sobrevivência dos grupos quanto para imitar os sons ouvidos pelo mundo, de cachoeiras e trovões aos pássaros e os temidos tigres. Se a natureza cantava, os homens queriam cantar também.

Recentemente, foram descobertos os instrumentos musicais mais antigos, flautas feitas de ossos de abutres e mamutes, datando entre 35 mil e 40 mil anos atrás. Os objetos foram encontrados em uma região na Alemanha, provando que não só humanos haviam já saído da África então, como também haviam desenvolvido habilidades musicais e artesanais. Se o vento assobiava ao passar por frestas e galhos, se gotas caiam ritmicamente das folhas, os homens procuravam imitar esses sons, criando os instrumentos capazes de fazê-lo.

Apesar de não sabermos muito sobre os costumes dessa gente, é difícil evitar imagens, talvez um pouco românticas, do que ocorria então. A vida era difícil. Provavelmente poucos sobreviviam além dos 20 anos. Mas imagino que existisse uma abundância enorme de animais nos campos, mares e rios. Pinturas nas cavernas da Europa e da África, algumas datando de mais de 20 mil anos atrás, mostram uma enorme variedade de animais e também de cenas de caçadas e de rituais. Provavelmente grupos se reuniam nas cavernas para comer, dormir e celebrar uma boa caça. As pinturas podiam ser tanto ornamentos quanto desenhos ritualísticos que faziam parte de cerimônias religiosas.

Certamente o som das flautas e dos tambores acompanhava os rituais, talvez até na tentativa de imitar os grunhidos dos animais e os sons do ambiente natural onde viviam.

A música e a pintura não eram as únicas expressões artísticas dessas sociedades ancestrais. A escultura também. Figurinos conhecidos como Vênus do Paleolítico, datando de mais de 25 mil anos, mostram o corpo de mulheres bem dotadas de estrogênio, provavelmente símbolos de fertilidade. O impulso criativo parece ser tão antigo quanto a nossa espécie.

Do pouco que conhecemos a respeito dos nossos ancestrais, identificamos neles bastante do que somos hoje. A diferença é que eles viviam em comunhão com o mundo -e não em guerra com ele.

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DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E POESIA EM “BÓSON DE HIGGS” DE MARCELO EXPLICITAM O QUÃO PRÓXIMO DA ARTE E DO SENTIMENTALISMO POÉTICO A CIÊNCIA PODE ESTAR.

BÓSON DE HIGGS
Acelero versos
como quem acelera partículas
recrio silêncios e explosões
preencho com formas, supostos vazios
para que então,
nas entrelinhas das descobertas,
na ante-sala do Éden,
eu possa por fim …
redescobrir a mim mesmo …

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO-CIRO MARCONDES FILLHO-NOTÍCIA ABAIXO

DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E POESIA “OS FILHOS DE HIROSHIMA” DE MARCELO ROQUE LEMBRAM EXPLOSÕES NUCLEARES, O PROJETO MANHATTAN, E EXIGEM REFLEXÃO SOBRE CIÊNCIA E DIREITOS HUMANOS: GLÓRIA KREINZ DIVULGA

OS FILHOS DE HIROSHIMA
Ainda contam os seus mortos,
Hiroshima e Nagasaki
Contam aqueles que seriam os filhos,
dos filhos,
dos filhos …
Contam os mortos que nem nasceram
E lamentam, os risos calados,
os olhares perdidos,
e as dores não sentidas …
Lamentam, este estranho vazio nas ruas;
e choram,
por aqueles que nem puderam choram,
nem puderam fugir,
e nem souberam morrer …
Choram,
e contam os seus mortos;
e também choramos,
e contamos,
todos nós;
aqueles que seriam os filhos,
dos filhos,
dos filhos …

Em 6 de agosto de 1945, pela primeira vez na história, uma
arma nuclear foi utilizada em combate, destruindo a cidade
de Hiroshima
No dia 9 deste mesmo mês, foi a vez de outra cidade japonesa,
Nagasaki
A devastação em ambas as cidades foi tão grande, que até hoje,
não se sabe ao certo o número total de mortos. E milhares de
sobreviventes foram permanentemente afetados pelos terríveis
efeitos da radiação. Muitos, morreram anos mais tarde, vítimas
de doenças causadas por esta exposição radioativa
O fato, é que este triste episódio, ceifou a vida de pessoas
inocentes; homens, mulheres e crianças; que levavam uma vida
absolutamente normal; em seus trabalhos, lares, escolas;
E Hiroshima e Nagasaki, bem poderiam ser, as cidades em que
vivemos com os nossos filhos, irmãos e amigos
E quando tomamos consciência desta proximidade de realidades,
percebemos então, o quanto, de certa forma, fomos também
atingidos por estas bombas. Poderíamos ter sido as vítimas
diretas destes ataques; só não fomos, por conta das circunstâncias,
apenas isso, e nada mais …
E é importante lembrar, que a morte de todo e qualquer indivíduo,
é também a morte de toda a sua descendência; Como digo neste
poema: “a morte dos filhos / dos filhos / dos filhos” …
E sendo assim, continuaremos para sempre, contando os mortos de
Hiroshima e Nagasaki …

Marcelo Roque